Recapitulando os eventos de nosso aniversário, no dia 18/10/2013 o IEEE WIE Unicamp recebeu a Intel do Brasil para a exibição do filme “Girl Rising” produzido pela Intel e pela 10×10.

Neste encontro assistimos aos primeiros 30 minutos do filme e conhecemos, por exemplo, a história da menina Wadley, uma das milhares de crianças sobreviventes do terremoto do Haiti. Wadley é dona de um sorriso cativante, assim como é dona de uma coragem exemplar. Impedida de ir à escola, Wadley não hesitou se rebelar contra a situação, levantar a voz e persistir até que pudesse voltar a estudar.

Girl_Rising_Movie

Após a exibição desta versão compacta do filme, seguiu-se um painel de discussão iniciado pela mesa composta pelo Diretor de Assuntos Corporativos da Intel do Brasil, Emilio Loures; pela professora do Instituto de Computação da Unicamp Dra. Juliana Freitag Borin; e pela pesquisadora da Unicamp, Dra. Letícia Rittner. O debate foi dirigido por Rosângela Melatto, Gerente de Responsabilidade Social da Intel da América Latina.

A discussão foi iniciada com a apresentação de dados que mostram que apesar das histórias relatadas no filme acontecerem em países distantes, a realidade de várias meninas brasileiras não é tão diferente da das garotas que aparecem no filme. A pobreza extrema, associada à falta de acesso à educação, perpetuam situações de desigualdade entre homens e mulheres também em terras brasileiras.

A discussão prosseguiu com cada um dos membros da mesa apresentando seu envolvimento com o tema da inclusão das mulheres na educação, do nível básico ao superior.

Enquanto Emilio Loures falou sobre os valores da Intel e a importância que a empresa dá para o tema educação, a professora Juliana Borin contou sobre seu primeiro contato com o Anita Borg Institute e sobre sua participação no Grace Hopper Celebration, uma enorme conferência dedicada às mulheres na computação.

Letícia Rittner falou sobre seu envolvimento com o IEEE WIE Unicamp e apontou indagações como, por exemplo, a respeito do  estudo realizado por cientistas de Yale onde um mesmo curriculum foi apresentado para uma vaga de gerente num laboratório de pesquisa. Neste estudo, parte dos recrutadores recebiam o curriculum com um nome feminino e outra parte com um nome masculino. Surpreendentemente, o estudo mostrou que o mesmo curriculum, quando apresentado com nome feminino, tinha muito menos chance de ser escolhido para a vaga do que o curriculum com nome masculino. Segundo o estudo, mesmo as recrutadoras mulheres apresentavam um viés de escolha para os homens, em detrimento das mulheres.

A discussão prosseguiu chegando na aparente dificuldade das mulheres fazerem reinvindicações ou de negociarem. Dificuldade esta que, segundo a plateia, pode estar relacionada ao fato das mulheres ainda terem salários médios menores que os homens. A dificuldade de pedir promoções ou aumento de salários foi apontada, pelos presentes, como um dos motivos que levam a este fenômeno.

De fato, estudos como os realizados por Linda Babcock, uma das autoras do best-seller “Women don’t Ask”,  mostram que os homens se envolvem em negociações com uma frequência 4 vezes maior que as mulheres, por exemplo. Uma entrevista interessante com as autoras do livro pode ser encontrada no link: http://www.youtube.com/watch?v=RcZn7zYGrp8

Ao fim do debate, algo havia ficado evidente: nós tínhamos muito a aprender com a menina Wadley. Afinal, diante da tragédia e das adversidades mais severas que uma criança pode passar, ela sabia exatamente o que queria e teve a postura de uma gigante ao demandar algo que devia ser dela por direito: acesso à educação básica.

Paula Paro Costa

Doutoranda da FEEC-Unicamp

Chair IEEE WIE Unicamp, 2012

Secretária IEEE WIE Unicamp, 2013

 

 

 

 

 

 

Os ensinamentos de Wadley (“Girl Rising”)

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